“Como homem que sou, registrei tudo o que aconteceu hoje aqui.” Assim Abel Ferreira terminou sua entrevista coletiva na noite de quarta-feira, após a eliminação do Palmeiras para o Corinthians nas oitavas de final da Copa do Brasil.
O que aconteceu além da derrota foi uma sonora vaia de parte da torcida que foi ao Allianz Parque e os aplausos de Abel em resposta. Depois do jogo, ele negou que sua atitude tenha sido uma ironia, mas, sim, um pedido de apoio.
Abel vive seu pior momento desde que pisou no Brasil, contestado pela torcida e eliminado pelo maior rival que está enterrado em uma crise sem precedentes fora de campo. Para complicar, o Palmeiras teve investimentos colossais no elenco, mas até agora simplesmente não jogou bola.
Como sempre, as palavras de Abel precisam ser lidas nas linhas e entrelinhas. A impressão é a de que o treinador sentiu na alma as vaias e xingamentos. Na entrevista, não surgiu o treinador raivoso, desafiador e com uma ponta de arrogância. Surgiu uma figura acuada, que tentou levantar uma tímida bandeira da paz com a torcida em vez de ir para o confronto direto, como normalmente faz.
A última frase da coletiva, que está no começo deste texto, foi dita com um discretíssimo sorriso de canto de boca. Longe de ter sido um sinal de indiferença ou desrespeito com torcida ou instituição, pareceu mais como um “não esqueci o que ouvi aqui. Me aguardem”.
O “me aguardem” pode ser duas coisas: um adeus no fim do ano sem renovação de contrato ou um final de temporada completamente diferente com algum título conquistado como forma de resposta para a torcida.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.






