Quando a Fórmula 1 entra em sua tradicional pausa de verão no calendário europeu, os carros ficam longe das pistas por três fins de semana. No entanto, longe do barulho dos motores, as fábricas seguem ativas, embora de uma maneira bem diferente.
A paralisação técnica de 14 dias consecutivos, prevista no artigo 24.1 do regulamento da FIA, obriga todas as equipes a suspenderem qualquer atividade relacionada ao desempenho dos carros. É proibido realizar testes, simulações, desenvolver atualizações ou mesmo trocar e-mails sobre performance. A aparência é de um desligamento total, mas, nos bastidores, a realidade é outra.
“Cerca de 95% das pessoas estão esperançosas na praia”, brincou Rob Thomas, diretor de operações da Mercedes, em entrevista ao site Motorsport. “Mas muita coisa acontece e as pessoas não se dão conta disso.”
Para algumas áreas, a pausa obrigatória é a oportunidade perfeita de cuidar do que normalmente é deixado de lado. “Há muito planejamento na preparação para essas preciosas duas semanas. É o único momento em que você pode chegar a coisas que normalmente não consegue, porque estamos sempre em um estado deplorável”, explicou Thomas.
“Na oficina mecânica, cada máquina passará por manutenção. Na verdade, estamos retirando quatro máquinas e trazendo quatro máquinas novas, o que é um trabalho muito grande”, contou. Além disso, infraestrutura como ar-condicionado, aquecimento, iluminação e até o chão recebem atenção. “Pintaremos os pisos para que, quando as pessoas entrarem novamente daqui a duas semanas, digam: ‘Nossa, mudou muito. Está muito bonito'”, acrescentou.
Ainda que as regras sejam rígidas, a fiscalização da FIA depende, em grande parte, da ética das equipes. Além disso, a dinâmica da categoria ajuda a manter as regras em ordem.
“É como muitas coisas na F1, em que é muito difícil para a FIA policiar diretamente. Portanto, muito disso se resume à integridade das equipes”, reconheceu Thomas. “As pessoas mudam de equipe o tempo todo, como você sabe, então muitas coisas se tornam autopoliciadas pela natureza transitória das pessoas que mudam de equipe.”
“Na verdade, é muito difícil manter esses tipos de coisas em segredo… Também nunca ouvi nenhum boato de que alguma outra equipe estivesse fazendo atividades, então espero que seja uma daquelas coisas que as pessoas se atenham, porque as pessoas estão muito, muito prontas para uma pausa.”
Apesar da pausa técnica, setores como financeiro, administrativo e comercial continuam funcionando, especialmente para fechar o mês ou tocar obras de infraestrutura. Durante as férias, projetos de construção, por exemplo, podem avançar mais rapidamente sem a movimentação habitual da equipe.
“Eu estava conversando com o gerente da obra que está supervisionando um grande projeto de construção e quando eu disse que todos nós ficaríamos longe dele por duas semanas, ele disse ‘sem ofensa, mas isso seria muito útil porque seus carros estão estacionados em todos os lugares’”, revelou Thomas.






