Com uma carreira marcada por conquistas históricas no ciclismo, Bradley Wiggins se tornou um ícone do esporte. Campeão olímpico e o primeiro britânico a vencer o Tour de France, ele acumulou glórias até 2016, ano em que decidiu encerrar a carreira. Mas, longe das pistas, Wiggins mergulhou em um dos desafios mais difíceis de sua vida: o vício em drogas.
O ex-atleta de 45 anos revelou que passou anos dominado pela cocaína. A substância afetou não apenas sua saúde, mas destruiu laços familiares e quase lhe custou a vida.
“Houve momentos em que meu filho pensou que eu seria encontrado morto pela manhã. Era um viciado funcional. As pessoas não percebiam, mas eu ficava ‘chapado’ a maior parte do tempo durante muitos anos,” confessou Wiggins em entrevista ao The Observer.
“Estava usando muita cocaína, era um problema sério. Meus filhos iam me internar na reabilitação. Eu estava caminhando na corda-bamba. Eu percebi que tinha um problemão, que precisava parar. Tenho sorte de estar aqui, fui vítima das minhas escolhas por muitos anos. Tive ódio de mim mesmo, era uma forma de automutilação, autossabotagem. Não era quem eu queria ser, estava magoando pessoas ao meu redor,” desabafou.
A ausência e o silêncio também marcaram esse período. Segundo Wiggins, a comunicação com a família se tornou raridade em meio à rotina da dependência.
“Meu filho fala muito com Lance Armstrong. Ele perguntava: ‘Como está seu pai?’, e o Ben respondia: ‘Não tenho notícias há algumas semanas, mas sei que ele está hospedado em um hotel’. Eles ficaram sem notícias minhas por dias. Agora consigo falar com franqueza. Não havia meio-termo. Não conseguia tomar uma taça de vinho. Se tomava, comprava drogas”, admitiu ele.
Ao longo da carreira, Wiggins conquistou oito medalhas olímpicas — cinco ouros, uma prata e dois bronzes — entre os Jogos de Sydney-2000 e Rio-2016. Outro feito emblemático veio em 2012, ao se tornar o primeiro britânico a vencer o Tour de France, competição mais tradicional do ciclismo mundial.






