Caio Bonfim ganhou a medalha que faltava: o ouro. O brasileiro de 34 anos se sagrou campeão mundial dos 20 km da marcha atlética, na prova disputada na noite desta sexta-feira, 19, em Tóquio, e se tornou o maior medalhista do país em Mundiais. São quatro medalhas em oito edições disputadas: bronze em Londres-2017 e Budapeste-2023 no 20 km, e a prata nos 35 km conquistada no primeiro dia do Mundial de Tóquio.
Com a segunda medalha de Caio Bonfim na competição japonesa, o Brasil chegou a 19 pódios em Mundiais. São três ouros – o primeiro lugar do marchador brasiliense se soma aos títulos de Alison dos Santos, nos 400 metros com barreiras em Eugene-2022, e de Fabiana Murer, no salto com vara, em Pequim-2015. Até agora, esta também é a melhor campanha do Brasil em Mundiais, com um ouro e duas pratas: além das duas medalhas de Caio Bonfim, Alison dos Santos sagrou-se vice-campeão dos 400 metros com barreiras.
Caio venceu com o tempo de 1h18min35s, seguido pelo chinês Zhaozhao Wang (1h18min43s) e pelo espanhol Paul McGrath (1h18min45s). Matheus Corrêa terminou a prova em 17º (1h21min04s) e Max Batista, em 42º (1h27min34s). Na prova feminina, Viviane Lyra foi a 12ª colocada, com o tempo de 1h29min02s, e Gabriele Muniz terminou em 32º (1h34min28s). Érica Sena abandonou a prova após o terceiro quilômetro.
Já dentro do estádio, Caio ainda demorou um pouco para entender que era o campeão. “Ainda não caiu a ficha. Eu não sabia que era ouro. Eu passei o chinês e o espanhol na última volta, fiz a vinda para o estádio (marchando) rápido, porque eu pensei: ‘eles vão lutar e eu posso perder a medalha, são caras velozes’. Quando chego no estádio, vejo a faixa e penso: ‘ué, nos 35 km eu fui segundo e não tinha faixa’. E aí pensei: ‘meu Deus, eu vou ser campeão do mundo!'”. Não sabia que o japonês Toshikazu Yamanishi tinha sido punido por faltas e não estava na frente”.
Depois da conquista da medalha de prata nos 35 km, há uma semana, Caio Bonfim dedicou-se à recuperação depois de uma prova desgastante, realizada no forte calor e na alta umidade da capital japonesa. Mais uma vez, o brasileiro se mostrou um grande estrategista, evoluindo na prova com calma e consistência.
Nos primeiros sete quilômetros de prova, Caio não estava nem entre os 20 primeiros colocados. Mas, na segunda metade da disputa, foi galgando posições, entrando no grupo dos 10 primeiros. Chegou a liderar no km 14, afastou-se da ponta nos quilômetros seguintes, para retornar ao 4º lugar no km 18. No quilômetro final, acelerou para o primeiro lugar, onde se manteve até ultrapassar a linha de chegada no Estádio Nacional do Japão.
“Essa é uma prova muito difícil. Os 20 km são muito intensos, e eu vim crescendo. Sabia que eu tinha velocidade, então eu não podia gastar. Queria fazer os primeiros seis quilômetros bem conservadores para fazer uma prova de 14 km. Foi um Mundial de muita resiliência, de ficar pensando ‘não desiste, não desiste, mais uma volta, mais uma volta’. Fui construindo isso, claro, com muito treino, e uma equipe muito preparada”, finalizou o campeão.
*Com Confederação Brasileira de Atletismo






