Crespo deu entrevista coletiva após o empate entre São Paulo e Flamengo na Vila Belmiro nesta quarta-feira pelo Campeonato Brasileiro. Um desavisado poderia achar que não era o treinador do time que estava ali, e não só pelo terno elegante que vestia, mas pelas palavras precisas sobre o momento histórico da equipe que comanda.
Ao ser perguntado sobre como enfrentar Flamengo e Palmeiras atualmente, Crespo deu uma resposta de presidente de clube. Sem aliviar, sem rodeios e de forma clara falou:
“Eu falo sempre, com dinheiro você encurta os tempos….. Há quanto tempo Palmeiras e Flamengo são competitivos? Ali há anos e anos de investimento. Temos de ter ideias com calma e brigar pelo o que a gente pode brigar. Quando falei há quatro anos, muito pequeno ganhar só o Paulistão. Mas ganhou uma vez em 20 anos. Realidade, gente. Pé no chão, entender a situação. É assim. Vamos lutar e brigar? Sim. Hoje, Flamengo e Palmeiras estão em outra situação na América do Sul. Se você for se comparar todo dia com eles, neste momento não pode. Na história sim, falamos. Mas a realidade é outra. Gente, calma, humildade, trabalhar e tentar reduzir esse gap.”
A fala do treinador é algo que os atuais dirigentes do São Paulo deveriam ter dito desde o primeiro dia de mandato. Em vez disso, o caminho escolhido foi o de prometer austeridade de um lado, mas seguir gastando mais do que pode de outro, fazendo com que o clube ficasse estacionado em um lugar que não condiz com sua história.
Em alguns minutos de fala, deu para perceber que:
1- Crespo demonstra ter total noção de onde está e do sacrifício necessário para reerguer o São Paulo.
2 – Quando fala da forma tão clara como falou, há um indicativo de que ele está inteiro neste barco e, se a diretoria quiser e permitir, ele lutará para que o clube volte ao topo onde esteve por tantos anos.
O empate contra o poderoso Flamengo deixa o São Paulo vivo na luta por uma vaga na Libertadores. Sem estádio, sem dirigentes importantes presentes na Vila Belmiro, o time lutou e poderia até ter vencido a partida.
As entrevistas de Crespo, a dedicação do grupo e a presença dos abnegados que foram torcer na Vila demonstram que há uma chama acesa que ainda é apenas uma chama. Fora de campo, os dirigentes precisam soprar de forma consistente para que ela vire fogo e ajude o clube a voltar ao topo.
Além de Crespo, quem mais no clube tem tanta clareza sobre o momento do São Paulo e vontade de verdade de mudar, sem meias verdades?
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.






