Foco, dedicação e estratégia são os pilares da carreira de Rebeca Lima, carioca de 25 anos que pratica boxe desde os 7. Com a mudança de juvenil para a elite já consolidada, a multimedalhista na categoria 60kg vem se tornando um dos principais nomes de sua geração e tem como inspiração a própria equipe.
“Meus companheiros de equipe são a minha base. A Bia [Beatriz Ferreira], que não é segredo, nossa melhor boxeadora brasileira. A Claressa [Shields] também, Kate Taylor, Amanda Serrano e Kellie Harrington, irlandesa que ganhou da Bia nas Olimpíadas, são outras inspirações que tenho”, disse.
Eterna amante de esportes, como ela mesmo se define, Rebeca busca referência não apenas no ringue, mas também nas quadras de tênis e de vôlei. “Eu curto muito o pessoal do tênis, tênis de quadra clássico mesmo. Eu gosto muito do mindset que o tênis apresenta e eu levo muitos aprendizados para o boxe também”, contou.
Por isso, é no esporte da bolinha amarela que a boxeadora também busca suas maiores inspirações. “Eu gosto muito dos nossos, como o Guga [Gustavo Kuerten] e a Maria Ester Bueno, que foi a nossa primeira grande tenista. E a Coco Gauff também, que foi a campeã em Roland Garros.”
O vôlei de quadra e de praia também têm um lugar especial no coração da atleta. “Eu assisto muito ao feminino e me inspiro na geração da prata olímpica [do vôlei feminino de quadra, medalha de prata nos Jogos de Tóquio]”, afirmou ela.
Apesar da grande admiração, Rebeca procura pensar nesses atletas que a inspiram como pessoas reais. “Eu não gosto da ideia de colocar as minhas referências em um pedestal. Óbvio que eu dou todo o mérito que esses grandes atletas carregam, mas eu não gosto de colocar que eles são minhas referências e ponto final. Eu gosto que eles tomem a direção seja de títulos, de atitude, de postura moral, da qual eu quero seguir também”, falou ela.
Início no boxe
Cria da Maré, favela da Zona Norte do Rio de Janeiro, Rebeca começou no boxe em 2007, quando conheceu a ONG Luta Pela Paz. Na época, a atleta praticava futsal, mas ficou curiosa ao ver os treinos na rua ao lado.
“Um dia fui lá no salão de boxe do Luta Pela Paz e vi as meninas batendo no saco, com manopla e cordas no ringue, e comecei a gostar. No outro dia eu pedi para minha mãe me inscrever, ela resistiu muito, mas me inscreveu”, relembrou.
Desde então, a pugilista da categoria 60kg brilha nos ringues. Pentacampeã brasileira, Rebeca conquistou o primeiro dos títulos em 2017. Logo depois, em 2018, fez história ao se tornar a primeira atleta brasileira a ganhar uma medalha no boxe feminino em campeonatos mundiais juvenis, conquistando o bronze.
Rebeca tentou se classificar para a Olimpíada de Tóquio, quando baixou de peso em busca da vaga, mas acabou não conseguindo ao disputar a posição com Jucielen Romeu, nos 57kg. Ela retornou à categoria de origem, mas em Paris-2024 não houve seletiva nos 60kg. No entanto, a pugilista esteve em Paris com o programa Vivência Olímpica do COB, em que jovens atletas promissores são convidados para experimentar o ambiente olímpico, e pôde ser sparring de Bia Ferreira na competição.
Enquanto isso, ela seguiu conquistando campeonatos brasileiros, além de duas pratas continentais, uma no Juvenil e outra no Elite 2022, ouro no Challenge da República Tcheca em 2025, e duas pratas na Copa do Mundo de Boxe 2024/2025.
O último e maior título da carreira foi o Mundial de Boxe em Liverpool, na Inglaterra, em que conquistou a medalha de ouro no último dia 15 de setembro. Focada no objetivo, Rebeca contou que a comissão técnica tinha expectativa de medalha na competição, mas ela mirou no ouro desde o início.
“Eu estava o tempo inteiro pensando no ouro. Na minha cabeça, eu chegando na final, já me assegurava a medalha de ouro. Porque se eu cheguei até ali, irmão, ninguém ia me segurar. E eu não tinha dúvidas que eu ia chegar até ali”, falou Rebeca.
As próximas metas estão bem claras na cabeça da pugilista. “Agora é o Sula [Jogos Sul-Americanos], depois o Pan-Americano para garantir minha vaga logo [para Los Angeles-2028] e a medalha olímpica”, projetou a atleta.
*Com Comitê Olímpico do Brasil






