A bandeira brasileira voltou a se destacar no salto com vara. Em boa fase, Juliana Campos somou resultados relevantes e pontos importantes no ranking mundial. No último domingo, 13, ela fez o índice para o Mundial de Atletismo de Tóquio após ultrapassar o sarrafo em 4,73m, exatamente a marca fixada pela World Athletics. Juliana e a campeã mundial Fabiana Murer foram colegas de treino em São Caetano do Sul e, para a ex-atleta, as duas têm semelhanças.
“A Juliana treinou junto comigo quando eu já estava parando, e na época ela já era uma grande promessa. Ela é alta, fez ginástica artística como eu, então todo mundo colocava uma esperança nela”, contou Murer, grande referência do salto com vara brasileiro. “Às vezes eu vou lá, dou uns palpites, e ela usa as varas que eu saltava também”, emendou.
Não à toa, Juliana vem se superando e tem Fabiana como grande inspiração na carreira. “Estou muito feliz por bater meu personal best [PB]. Fico feliz por ter alcançado marcas que só a Fabiana conseguiu no Brasil. Ela é uma inspiração, quero poder trilhar o caminho que [ela] trilhou e conquistar novas alturas”, disse Juliana.
O Brasil tem uma tradição na modalidade e costuma levar os atletas ao pódio em Jogos Olímpicos e Mundiais. O maior vencedor brasileiro é Thiago Braz, campeão olímpico nos Jogos do Rio-2016 e bronze na Olimpíada de Tóquio, ele ainda é o atual recordista sul-americano da modalidade e um dos nove atletas no mundo que saltaram acima dos seis metros de altura.
Ano Positivo
“Este ano ela conseguiu melhorar a marca dela e eu fiquei muito contente de ver que ela começou a deslanchar novamente. Ela buscou esse resultado, esteve na Olimpíada [Paris-2024]. Eu vejo que o salto com vara no Brasil começa a brilhar de novo”, afirmou Fabiana, que parou de competir após a Olimpíada do Rio, em 2016.
Além de garantir sua vaga no Mundial de Atletismo, Juliana também conquistou a medalha de prata no Fly Athens, na Grécia, meeting da categoria Prata do World Athletics Continental Tour, há duas semanas, saltando a 4,68m e quebrando três vezes sua melhor marca pessoal.
As outras duas marcas foram conquistadas em junho, no dia 2, quando a brasileira conquistou a medalha de ouro na LXI Palio Citta Della Quercia, na Itália, alcançando 4,63m. Resultado que já colocava a atleta como segunda melhor do Brasil e terceira da América do Sul. Logo depois, no dia 24, alcançou 4,66m no Golden Spike de Ostrava, República Tcheca. Na ocasião, Juliana também foi prata.
A atleta já teve anos complicados e vem de um ciclo olímpico duro, em que foi até o limite para conseguir sua vaga em Paris-2024. Após disputar a Olimpíada lesionada, em que não chegou a atingir a marca de 4,70m para a final, ela tratou uma lesão no pé e projeta um ciclo melhor para os Jogos de Los Angeles-2028.
“Estou bem fisicamente, recuperada da fratura no pé depois de Paris. Inicialmente, ficamos em dúvida se fazia a temporada indoor e fiquei ansiosa se seria suficiente só a temporada outdoor para me qualificar para o Mundial de Tóquio. Vejo que foi a melhor decisão, consegui me preparar bem e funcionou. Muito feliz de ter tomado as decisões certas”, disse ela.
Juliana começou sua trajetória de atleta na ginástica artística, em São Caetano do Sul, em 2003. Depois passou a competir pelo MESC, de São Bernardo do Campo, em 2005, e em 2009 foi para o Pinheiros, quando fez a transição para o atletismo. Com 28 anos, ela é integrante do Praia Clube, de Minas Gerais.
Este ano, a atleta está passando uma temporada de treinos em Padova, na Itália, onde integra um grupo de treinamento com mais três italianas, uma chilena e uma israelense. “É um bom lugar para treinar, e a gente consegue trocar figurinha. Estou feliz em todos os aspectos”, afirmou ela.
Contente com os resultados da sucessora, Fabiana diz que a expectativa é grande para o próximo ciclo, mas que devemos ter calma. “É passo a passo, buscar uma final Olímpica e depois ir atrás de sonhos maiores, como foi comigo”, declarou.
*Com Comitê Olímpico do Brasil






